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FESTIVAL DE MÚSICA CRIATIVA

05 A 17 DE JULHO DE 2022

VÂNIA DANTAS LEITE 

por Alexandre Fenerich & Daniel Puig

Vânia Dantas Leite (1945-2018) é das compositoras pioneiras, com Marlene Fernandes e Jocy de Oliveira, na utilização consistente da linguagem e do instrumental eletroacústico no Brasil. Pianista e cravista de formação, levaria a pesquisa no sintetizador AKS a um grau de sofisticação que só uma compositora intérprete poderia atingir. Explorou ao máximo seu potencial já nos anos 70, como em Vita Vitae (1974, grupo de câmara, vozes e sons sintetizados), na qual os sons gravados do sintetizador convivem com sua performance ao vivo. Em

A-jur-amô (1975, sons sintetizados gravados e voz ao vivo), cuja escritura é estrita, atua ao AKS com espantosa precisão. Já em duas obras posteriores, Karysma (1985, oboé e sons sintetizados gravados) e Di-Stances (1996, sons sintetizados gravados), o material eletrônico se assemelha em arabescos, filigramas e serículos acústicos de muita vivacidade. Nessas e outras obras, um aspecto é notável: Vânia é uma compositora que busca colaboração. Vita Vitae é criada na relação com quatro poemas da escritora feminista Olga Savary. Karysma foi realizada a partir de improvisações do oboísta Ricardo Rodrigues. Di-Stances foi inspirada pelo artista Paulo Garcez em desenhos “lidos” como partituras. Destaca-se ainda sua co-criação em videos, com Anna Maria Maiolino, Simone Michelin e Valéria Costa Pinto, levando à prática que define como música-vídeo em seu doutorado. Com cerca de 50 trabalhos, a obra de Vânia Dantas Leite, seminal para a música de concertos no Brasil, parece apontar para temas que se tornariam relevantes décadas mais tarde. Revelam sua inventividade e curiosidade, a mesma presente no uso do AKS e na atenção que dedicava aos detalhes de cada obra. Como professora na Unirio (1981-2012), formou gerações com espírito sensível a seu tempo. Os trabalhos apresentados aqui são testemunha de sua técnica sólida e estilo questionador e aberto ao diálogo colaborativo.

Alexandre Fenerich & Daniel Puig

Alexandre Fenerich - pesquisador de conteúdo e  coordenador do  projeto  "Coleção de Música Eletroacústica e Experimental Carioca" (Faperj - Unirio)

Caros amigos do CHIII,

A série de emissões radiofônicas que vocês irão ouvir em seguida foi ao ar no “Eletroacústicas” na Rádio MEC FM do Rio de Janeiro numa produção conjunta com a Escola de Música da UFRJ para celebrar a trajetória da grande compositora de música eletroacústica Vania Dantas Leite (1945-2018), de quem fui aluno no Instituto Villa-Lobos da Unirio nos anos 1980. A série conta com depoimentos da compositora e de diversos colegas, parceiros e admiradores de Vania. Espero que vocês curtam!

 

Rodrigo Cicchelli (produtor e apresentador do “Eletroacústicas” e professor titular da Escola de Música da UFRJ)

Vânia Dantas Leite era brilhante e muito divertida. Compositora extremamente profissional, com uma curiosidade que a impulsionava em busca

de novas relações da música contemporânea com as artes visuais. Nossa colaboração foi fácil e produtiva.  Sua elegância e vigor, modulados pela sutileza de seu espírito, transparecem em seu legado artístico. 

 

Simone Michelin

foto pb, vania dantas leite toca um sintetizador analogico em seu estudio.

Vânia era uma profissional muito séria e competente, uma das pioneiras da arte eletroacústica no Brasil. Foi  tranquilo trabalhar com ela. Tinha total confiança nas suas criações. Nos entendemos muito bem. Tínhamos uma amizade antiga e que frutificou dando bons resultados para nós duas. 

Valéria Costa Pinto

Muito poderia escrever sobre  Vânia e nossa convivência desde da década de 70, mas não sei se seria suficiente para reconstruir esta rica memória que convive comigo. Como faz falta sua presença, nossas afinidades, conversas e tanto que compartilhávamos ...

Uma amizade inspiradora , uma companheira de tantos anos!

Seu talento, sua invenção, sua inteligência ,bom gosto e sensibilidade nos deixou algumas  belas e impactantes  obras que influenciaram toda uma geração de seus talentosos alunos, aos quais ela  se dedicou  profundamente. Muitas vezes nossas jornadas seguiram paralelas e ligadas pela afinidade musical, artística, emocional que nos unia. Quantas vezes iniciamos juntas uma pesquisa de um novo programa ou mesmo instrumento eletrônico... quantas viagens (pelo mundo afora)  fizemos juntas a festivais, congressos, passeios e compartilhamos alegrias, descobertas, reflexões! Uma amiga artisticamente muito próxima, Vania continua presente na minha memória e muito me emociona escrever sobre ela.

Jocy de Oliveira